É curiosa mas também cómica a forma como os jogadores de futebol abordam a relação com a imprensa e com os adeptos. Os nossos seleccionáveis são autênticos casos de estudo. Parecem mesmo os desgraçadinhos da bola, os calimeros do chuto na chincha a quem o céu vai desabar na cabeça.
É curioso porque, sendo o futebol um desporto colectivo, poder-se-ia pensar que os atletas estariam psicologicamente mais resguardados deste problema. Afinal, nenhum jogador ganha ou perde jogos sozinho. Mas não; é sempre o mundo contra eles. E nestas aventuras de capa-e-espada, eles têm sempre de arrostar Adamastores, batendo-se heroicamente pelo reconhecimento da sua suprema valia.
O maior exemplo disto é o do nosso último herói de pacotilha, o homem dos frangos que defendeu 3 penalties. A história real é simples: Ricardo é um bom guarda-redes, que desde que se transferiu para o Sporting e ganhou a baliza da selecção, tem dificuldades em lidar com as críticas e com os adeptos. A não ser que tanto uma quanto os outros lhe sejam favoráveis; aí sim, vem ele, de peito feito, falar das "injustiças", da "perseguição" e dos "falsos amigos". Portanto, a a partir de hoje, e até ao próximo frango, o peru que Ricardo mamou contra o Lietchtenstein foi um "pormenor técnico", o golo da Udinese que arrumou o Sporting da Liga dos Campeões não existiu, e todos os outros pintainhos, pitos, perus e frangos desta época são pormenores. O que interessa é que ele deu "uma bofetada de luva branca" nos críticos e em quem "não acreditava nele".
Se fosse só o Ricardo, seria só cómico. Mas o vírus pega-se. E temos o Pauleta, que desde que chegou aos 40 golos, está sempre a comparar-se a Eusébio, mas a dizer que "só em Portugal não lhe dão valor"; temos Maniche, que "esteve sempre em condições, embora muita gente não acreditasse"; temos Miguel, a quem o malvado do presidente do Benfica queria obrigar a cumprir um contrato só porque ele o tinha assinado; e continua.
Assim, na cabeça deste moços, além de bem pagos, também deveriam ser bajulados e idolatrados sempre, quer jogassem bem, mal ou não jogassem. Pois. Presunção e água benta cada qual toma o que quer.

2 Comentários a “Os desgraçadinhos”

  1. # Blogger Mário Azevedo

    Alexandre, aparentemente não entendes uma coisa básica. Há dezenas e dezenas de anos que andamos a ver passar os pardais. Quando finalmente, vemos a nossa selecção a disputar o campeonato do mundo a sério, estando a um jogo de chegar à final, achas que alguém quer saber desta conversa? Tentar ser racional nesta altura é absolutamente e paradoxalmente a coisa mais irracional que podes fazer.  

  2. # Blogger Alex

    O que é que tem o cu a ver com as calças?  

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