Gostei do desempenho do senhor Procurador-Geral da República. Confesso que quando li a sua entrevista ao Sol fiquei algo perplexo e achei a conversa inconsequente e alarmista. Mas, ao mesmo tempo, suspeitei existir um velado propósito para a sua existência.
Tais dúvidas foram esclarecidas com a sua audição parlamentar, a que assisti na íntegra. Gostei do que ouvi. Gostei do estilo e da inteligência demonstrada por Pinto Monteiro. Este soube utilizar a única linguagem que a "classe" política actual entende: o "mediatez".
Não há nada como empolgar um assunto com sensacionalismo e uma leve pitada de escândalo político potencial para chamar a atenção dos nossos políticos. Afinal de contas, é assim que se revêem os códigos penal e de processo penal nos nossos dias.
Pinto Monteiro revelou aquela falta de constrangimento própria de um Homem que sempre viveu com independência a sua vida profissional e isso permitiu-lhe utilizar as fobias políticas reinantes para conseguir uma atenção séria e mais meios para a sua actuação.
Por aqui se percebe o incómodo do PS com a audição parlamentar. O poder político, não podendo controlar constitucionalmente o poder judicial, sempre teve uma especial apetência para o influenciar via Ministério Público e Orçamento de Estado. Este sentimento de protecção corporativista ficou mais que claro com o caso Casa Pia e Paulo Pedroso. Interessa viver numa sociedade menos estruturada e mais maleável aos ventos políticos do momento. Não interessa contrariar o nosso nacional-porreirismo. Daí as constantes piadas emitidas pelo deputado do PCP quanto às Bolas de Berlim e à ASAE, convenientemente esquecendo que esta entidade apenas aplica a Lei que os senhores políticos aprovam e que, supostamente, pretende acabar com actividades informais que violam direitos de terceiros e do Estado e, vejam só, põem em risco a segurança dos consumidores.

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